segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

tropa de elite venceu!

O diretor José Padilha, de "Tropa de Elite", e a esposa Josane chegam ao Brasil trazendo o Urso de Ouro de Berlim numa sacola preta

JOSÉ PADILHA

Depois do inverno

"Fala, Benjamin. É frio lá [em Berlim]! É frio!", dizia o diretor José Padilha ao empresário Benjamin Steinbruch, da CSN, ao desembarcar ontem em Congonhas, trazendo da Alemanha, numa sacola preta, o Urso de Ouro do Festival de Berlim por "Tropa de Elite". Steinbruch é patrocinador do filme. Os empresários Flavio Rocha, da Riachuelo, e João Cox, da Claro, que também apoiaram "Tropa", aguardavam na sala VIP do aeroporto.


Depois de 15 horas de viagem, Padilha desembarcou disposto a não alimentar polêmica com os críticos. "Quando eu estava lá [em Berlim], eu não lia os jornais brasileiros." Não leu sequer a crítica da revista norte-americana "Variety", que definiu "Tropa" como "um filme de recrutamento de seguidores fascistas"? "O cara [Jay Weissberg, crítico] não entendeu o filme. Foi um problema de legenda, de tradução." Mas o prêmio não é um "tapa na cara" de quem falava mal do longa? "Não, olha, por favor. Não coloque palavras na minha boca."
Invocando o testemunho da mulher, Josane, Padilha dizia: "Nós estamos fazendo de tudo para fugir de confusão, né, Jô?".
O diretor chegava a dizer que o prêmio não foi assim aqueeeela surpresa. "A gente percebia uma reação boa do público alemão e da crítica européia. Então a gente não tinha uma sensação ruim." Já a atriz Maria Ribeiro, que interpretou a mulher do capitão Nascimento, dizia que a surpresa foi, sim, enorme. "A gente não esperava nunca, nunca! A gente nem ia ficar prá ver a premiação. A gente ia pegar um vôo para o Brasil." Marcos Prado, sócio de Padilha, confirma: "Nós íamos voltar, mas eles [organização do festival] avisaram que tínhamos ganhado um prêmio. Eles fazem isso porque senão todo mundo debanda, né?".

Um cinegrafista do "Fantástico" se aproxima. "Vamos pedir aplausos para "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias'", brincava Maria Ribeiro, referindo-se ao filme que foi indicado para representar o Brasil no Oscar, desbancando "Tropa". O ator Caio Blat, marido de Maria Ribeiro, repetia: "Alucinante! Alucinante".

Padilha anunciava que vai terminar dois documentários e começar um longa de Marcos Prado, "Paraísos Artificiais", sobre "a relação dos jovens com as drogas de hoje, que têm a ver com internet, com orkut". Ainda não é certo que Wagner Moura fará o capitão Nascimento na minissérie de "Tropa" na TV Globo. "Nem assinamos contrato!" Certeza, Padilha só dava uma: o urso de Berlim será guardado "num lugar especial do quarto do meu filho, Gabriel, de 4 anos".

Quatro em um
O cineasta Fernando Meirelles dirigindo um musical? Estrelado por Marília Pêra? Com coreografia de Ivaldo Bertazzo? E dramaturgia de Miguel Falabella? Por incrível que pareça, os quatro se uniram para produzir um espetáculo que ainda não foi sequer divulgado mas que, de acordo com os planos, deve estrear em agosto. Idéia de Ivaldo Bertazzo, o projeto está orçado em R$ 6 milhões. Eles vão se reunir hoje com um grupo de empresários de São Paulo para mostrar o projeto, em busca de apoio financeiro.

PONTA CHIQUE
O espetáculo, que contará a história da filmagem de um musical (e depois deve virar um filme de verdade será apresentado no teatro Tuca. Os espectadores serão convidados a fazer "pontas" na apresentação, para depois aparecer nas telas. O projeto deve render frutos: Bertazzo afirma que, depois dele, será criada uma escola para formar artistas para musicais

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