terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Elite do cinema: Wagner Moura comenta o Urso de Ouro

Não adiantaram as críticas e as acusações de fascismo da imprensa estrangeira, ecoando as que o filme já tinha ouvido pelas bandas de cá. Tropa de Elite convenceu quem precisava e premiou o Brasil pela segunda vez com o Urso de Ouro do Festival de Berlin. José Padilha recebeu no último sábado das mãos do cineasta e presidente do júri, Constantin Costa-Gravas, ícone do cinema político. Wagner Moura, o Capitão Nascimento, personagem principal da película, falou a Cult sobre a premiação.
O que significa o Tropa de Elite ser premiado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim?
É um prêmio que é importante para todo mundo que faz cinema no Brasil, que faz cinema na América Latina. A gente tem tido cada vez mais filmes nos festivais grandes do mundo. Tanto o cinema brasileiro, quanto o mexicano, e o argentino, principalmente. E ganhar o Urso de Ouro é maravilhoso! Acho que é o segundo ou terceiro prêmio mais importante do cinema no mundo. E para mim e para o Zé [Padilha], além de ser incrível foi uma recompensa muito grande. A gente brigou muito, tanto aqui, quanto lá fora para defender o filme de interpretações tortas.
Por chamarem o filme de fascista?
É. A gente defendeu muito o filme, acho que o prêmio foi um entendimento e uma reposta: "Pô! O filme que a gente fez é o filme que está sendo premiado lá fora". Não acredito que alguém no mundo, ainda mais um cineasta político e um humanista de esquerda como o Costa-Gravas iria premiar um filme fascista.
O que aconteceu na hora da exibição do filme?
Foi uma confusão, acho, do próprio festival. As sessões para a imprensa, geralmente, são passadas com cópias legendadas em inglês. E a nossa cópia sumiu. Então foi um filme em português com a legenda em alemão. A crítica pior que a gente teve foi da Variety, que, quando eu li, vi que era claramente uma crítica de alguém que não tinha entendido o filme.

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