O líder cubano Fidel Castro anunciou nesta terça-feira que não voltará a ocupar a presidência do país. A renúncia foi divulgada por meio de uma carta publicada no jornal oficial do país, o "Granma".
"A meus caros compatriotas, que me deram a imensa honra de me eleger, recentemente, como membro do Parlamento (...) comunico que não desejarei nem aceitarei - repito - não desejarei nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante Chefe", diz a carta.
Fidel discursa em Havana, em maio de 2006, pouco antes de passar o comando do país ao seu irmão Raúl; ao fundo, imagem do líder revolucionário Che Guevara |
Fidel fala ainda das limitações que os problemas de saúde trouxeram, ressaltando que "trairia sua consciência assumir uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total, o que não estou em condições físicas de oferecer." E acrescenta: "Falo isso sem drama."
Na carta, ele lembra que "o adversário a ser derrotado é muito forte" e encerra com uma mensagem para o povo cubano: "Não me despeço de vocês. Desejo apenas combater como um soldado das idéias. Continuarei escrevendo sob o título "Reflexões do companheiro Fidel". Será uma arma a mais no arsenal com a qual se poderá contar. Talvez minha voz seja ouvida. Serei cuidadoso".
As reflexões citadas por Fidel são publicadas no "Granma", o jornal do Partido Comunista Cubano. Os textos falam de política doméstica e internacional, servindo como um meio de comunicação com a população do país e, conseqüentemente, divulgando as idéias de Fidel para o mundo todo.
Desde julho de 2006, o comando do país está interinamente nas mãos do irmão de Fidel Castro, Raúl. O afastamento ocorreu por causa de problemas de saúde. Depois de submeter-se a uma cirurgia no intestino, Fidel passou o poder para as mãos do irmão.
Aos 81 anos de idade, Fidel ocupava o poder desde a revolução comunista de 1959. Em dezembro do ano passado, ele indicou que poderia se afastar para dar espaço para uma nova geração política.
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Encontro com Lula
No dia 14 de janeiro deste ano, o presidente Lula teve um encontro com Fidel Castro em Havana. Os dois conversaram durante aproximadamente duas horas e meia e, ao final da reunião, Lula afirmou aos jornalistas que a saúde de Fidel estava "impecável" e que o líder cubano estaria "pronto para assumir o seu papel político".
Convidado a visitar o Brasil, Fidel disse que o faria "pelo menos com o pensamento", em texto publicado no diário comunista no dia 1º de fevereiro.
Na carta desta terça, o líder cubano cita outro brasileiro, o arquiteto Oscar Niemeyer. Ao reproduzir trechos de cartas enviadas a Randy Alonso, diretor do programa "Mesa Redonda" da Televisão Nacional e amigo pessoal de Fidel, ele sublinha: "Penso como Niemeyer que é preciso ser conseqüente até o final."
A mensagem já tinha sido lida no programa de TV no dia 18 de dezembro, quando Fidel pela primeira vez considerou a hipótese de abrir mão de seu posto formal de liderança no país. O que se concretizou nesta terça-feira.
No dia 29 de janeiro deste ano, uma escultura de Niemeyer foi inaugurada em Havana. A imagem de 15 metros representa a luta cubana contra o monstro imperialista, na definição do arquiteto que, por medo de avião, não compareceu à cerimônia

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