sábado, 16 de fevereiro de 2008

Leigh e Anderson são favoritos da crítica em Berlim

Filmes dos diretores britânico e americano foram os mais elogiados por jornais e revistas; júri anuncia vencedores hoje

Outras apostas do meio cinematográfico incluem prêmio de melhor ator para Daniel Day-Lewis; atriz de filme de Leigh é cotada

SILVANA ARANTES
ENVIADA ESPECIAL A BERLIM

O Festival de Berlim revela hoje os vencedores de sua 58ª edição, que começou no último dia 7, com 21 filmes em disputa, entre eles o brasileiro "Tropa de Elite", de José Padilha.
Se o veredicto do júri presidido pelo cineasta grego radicado na França Constantin Costa-Gavras é ainda uma incógnita, a avaliação dos concorrentes pela crítica, que já se conhece, foi raras vezes homogênea.
Entre os poucos consensos estão a aprovação ao drama "Sangue Negro", de Paul Thomas Anderson, que estreou ontem no Brasil, e à comédia "Happy-Go-Lucky" (desencanado), de Mike Leigh, e o rechaço ao filme-denúncia sobre pedofilia e seqüestro infantil "Gardens of the Night" (jardins da noite), de Damian Harris.
A recepção a "Tropa de Elite" pela crítica foi desigual e majoritariamente negativa. Enquanto a revista britânica "Screen" o avaliou como "excelente", diversas outras publicações enxergaram no filme aspectos moralmente reprováveis, como uma suposta apologia da tortura, ou cinematograficamente inconsistentes.
A narração em "off" que o Capitão Nascimento (Wagner Moura) faz da história incomodou mais de um crítico.

Réplicas
Espectadores fãs do filme saíram em defesa de "Tropa de Elite" e em violento ataque ao autor da crítica desfavorável na revista norte-americana "Variety". O crítico do diário francês "Le Monde" também foi replicado por leitores e fez sua tréplica, ratificando sua desaprovação ao filme.
Entre os demais concorrentes, cujos fãs e detratores na crítica se dividem em partes parecidas, estão três filmes sobre o luto: o mexicano "Lake Tahoe" (lago Tahoe), de Fernando Eimbcke, o italiano "Caos Calmo", de Antonello Grimaldi, e o alemão "Kirschblüten - Hanami" (o desabrochar das cerejas), de Doris Dörrie.
A categoria de melhor ator tem concorrentes especialmente fortes, como o britânico Daniel Day-Lewis ("Sangue Negro") e o israelense Moshe Igvy ("Restless").
Se valer no júri a mesma preferência da crítica, a disputa de melhor atriz terá ligeira vantagem da britânica Sally Hawkins ("Happy-Go-Lucky") sobre Kristin Scott Thomas ("Il Y A Longtemps que Je t'Aime") e Tilda Swinton ("Julia").

Estrelas
Ontem, com a disputa já encerrada, a grande atração do festival foi a estréia hors-concours do drama de época "A Outra", do britânico Justin Chadwick, em que Eric Bana interpreta o rei da Inglaterra Henrique 8º, enquanto Natalie Portman e Scarlett Johansson vivem as irmãs Ana e Maria Bolena, que se tornam ambas amantes do rei e o disputam entre si e com a rainha.
Johansson e Portman elogiaram-se mutualmente. "Só assinei esse contrato porque Natalie estava no filme. Como eu a admiro muito, queria trabalhar com ela", disse Johansson, de quem Portman, minutos antes, se declarara fã. Bana, por sua vez, afirmou, sorrindo, que "gostaria de repetir essa experiência", quando lhe perguntaram que tal foi atuar ao lado de duas atrizes tão lindas.

Outros prêmios
O Prêmio Teddy, dedicado a produções com enfoque gay, deu ao islandês "A Surpreendente Verdade sobre a Rainha Raquela", de Olaf Johannesson, o prêmio de melhor longa de ficção. O curta brasileiro "Tá", do brasileiro Felipe Sholl, também foi premiado em sua respectiva categoria

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