A nadadora brasileira Rebeca Gusmão, suspensa por doping das competições oficiais desde novembro, foi ouvida em audiência que durou 5h30 nesta sexta-feira na Corte Arbitral de Esporte, em Lausanne, na Suíça. O resultado deve ser divulgado em até 45 dias.
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Rebeca é acompanhada de seu advogado, Breno Tannuri, em depoimento no Rio
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Rebeca foi a 1ª brasileira a levar ouro no Pan, mas teve suas medalhas cassadas
De acordo com um de seus advogados que acompanhou a audiência, Breno Tannuri, não houve problemas. "Tudo ocorreu dentro da normalidade. Foi uma audiência difícil, porque este é um caso complicado em todos os aspectos", disse Tannuri por telefone.
Rebeca respondeu sobre um exame antidoping que apontou excesso de testosterona de setembro de 2006, durante o Troféu José Finkel de natação. A defesa da nadadora usou como principal argumento que a urina do exame estava degradada devido a falhas no controle antidoping realizado durante o torneio, e que por isso teria apresentado falso positivo. Se for considerada culpada, Rebeca pode ficar dois anos afastada das piscinas.
O advogado preferiu não fazer projeções do futuro da nadadora. "Acho que qualquer coisa que for dita a essa altura será mera suposição", completou Tannuri. Além dele, outro advogado, André Ribeiro, a médica Renata Castro, que antes fazia parte da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) e o pai da nadadora acompanharam Rebeca no CAS.
"Ela está muito cansada, e foi direto para o hotel descansar", disse apenas Tannuri sobre Rebeca.
Na segunda-feira, a nadadora enfrentará um novo julgamento, agora no Painel de Doping da Fina (Federação Internacional de Natação), sob a acusação de doping que teria acontecido nos Jogos Pan-Americanos do Rio. Se for punida pela federação, Rebeca pode ficar até dois anos fora de competições esportivas.
O segundo exame, promovido pela Fina no dia 13 de julho, data de abertura do Pan, mostrou novamente nível anormal de testosterona. Outros testes de Rebeca, realizados entre os dias 12 e 18 de julho, também durante a competição continental, apresentaram duplo DNA.
Rebeca contestou o resultado do teste. Em 18 de dezembro, foi realizada a análise da contraprova no Laboratório Institute Armand Frappier, em Montréal, no Canadá. De acordo com Dr. Blanco Herrera, médico contratado pela defesa de Rebeca para acompanhar a análise, o resultado teria sido inconclusivo. Herrera está a caminho da Suíça, e participará do julgamento na Fina ao lado da nadadora.
Em dezembro passado, a Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) cassou as quatro medalhas conquistadas por Rebeca durante o Pan do Rio. Os dois ouros obtidos por Rebeca nos 50 m e nos 100 m livre acabaram com a venezuelana Arlene Semeco, que ficara com a prata nas duas provas.
A nadadora havia conquistado também uma prata (4 x 100 m livre) e um bronze (4 x 100 medley). Rebeca foi a primeira brasileira a se sagrar campeã pan-americana na natação, e a primeira a conseguir índice olímpico nos 50 m livre (atualmente, Flávia Delaroli também tem o índice).

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