domingo, 4 de maio de 2008

Filme: Penélope com Christina Ricci, James McAvo, Reese Witherspoon

Divulgação

SINOPSE

Por causa de uma maldição, a filha de milionários nasce com o nariz como de um porco, inoperável. A moça é rejeitada por todos e perseguida por jornalistas. Um deles contrata um viciado em jogo para se aproximar dela.

COMENTÁRIOS

Esse é o primeiro filme de Reese como produtora. O longa ficou dois anos na prateleira e estreou somente em fevereiro de 2008 nos EUA e Inglaterra. No Brasil, saiu diretamente em 'home vídeo'.

Pelas mãos de um diretor estreante e um roteirista vindo da televisão (escritor da série "Everybody Loves Raymond"), o filme pretende ser uma espécie de fábula fantástica com uma lúdica moral da história, numa variante de "A Bela e a Fera", com toques de "Shrek", "Amélie" e toda a obra de Tim Burton. Mas se o importante é acreditar que a beleza está no interior e não na aparência, por que desejam tanto casá-la, afinal?

A narrativa começa até bem mas não segue com desenvoltura. O ridículo comportamento do vingativo e jovem milionário (Woods) exemplifica como tudo é absurdo em excesso. Além disso, é extremamente previsível e interminável. O filme porém tem como mérito um bom elenco, incluindo McAvoy ("O Último Rei da Escócia") e, principalmente, Christina, simpática e afável. Reese aparece na parte final como uma excêntrica que vive na Inglaterra.


Título original : Penelope (EUA, 2006)
Diretor: Mark Palansky
Elenco: Christina Ricci, James McAvo, Catherine O´Hara, Reese Witherspoon, Peter Dinklage, Richard E. Grant, Simon Woods, Nigel Havers.
Extras: Sinopse, ficha técnica, trailers
Idioma: Inglês e português
Legendas: Português, espanhol e inglês
Gênero: Comédia
Duração: 103 min. Cor
Distribuidora: Paris Filmes

Filme: Margot e o Casamento com Nicole Kidman

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SINOPSE

Margot e seu filho Claude vão visitar a irmã dela, Pauline, depois que ela anuncia que vai se casar com um certo Malcolm, um mal sucedido sujeito. Logo, as irmãs entram em conflito.

COMENTÁRIOS

Nicole errou ao escolher um projeto independente, que não deu certo e ficou inéditos em nossos cinemas. O roteirista e diretor Noah foi superestimado com seu filme de estréia, "A Lula e a Baleia". O cineasta constrói um filme para duas mulheres em conflito, as irmãs vividas por Nicole e Jennifer (sua esposa), por sinal, a única indicada ao "Independent Spirit".

Não é só o notório botox de Nicole que conta contra, incomoda também a sua personagem, difícil e desagradável. É uma mulher chata, insatisfeita, neurótica, que torna a vida de todos um inferno. Margot (Nicole) é uma escritora de contos que está cansada do casamento e reencontra um namorado do passado.

Ao contrário de dramas americanos dos anos 50 e 60, quando tudo era bem motivado e justificado, é complexo, mas cheio de lapsos e mistérios. As duas irmãs estão, brigadas há anos e, a princípio, parecem a caminho de fazer as pazes quando a noiva, mãe de uma adolescente grávida, anuncia o casamento com o gordinho Jack Black - a melhor coisa do filme. Porém, no contexto geral, não são pessoas interessantes, que a gente gostaria de conhecer melhor ou de passar muito tempo junto. A fotografia escura, feita com luz natural e velhas lentes, e a câmera na mão não ajudam. O humor da primeira parte vai desaparecendo.


Título original : Margot at the Wedding (EUA, 2007)
Diretor: Noah Baumbach
Elenco: Nicole Kidman, Jennifer Jason Leigh, Jack Black, Flora Cross, Ciaran Hinds, John Turturro
Extras: Conversa com o diretor e Jennifer, Trailers
Idioma: Inglês e português
Legendas: Português e inglês
Gênero: drama
Duração: 91 min. Cor
Distribuidora: Paramount

TOP 10 BILHETERIAS - EUA

# FILME SEMANA RENDA* TOTAL*
Baby Mamaassistir estréia 17,41 17,41
Harold & Kumar Escape From Guantánamo Bay assistir estréia 14,91 14,91
The Forbidden Kingdomassistir 2 11,21 38,24
Forgetting Sarah Marshallassistir 2 11,03 35,09
A Ilha da Imaginaçãoassistir 4 4,55 38,98
A Morte Convida Para Dançarassistir 3 4,51 38,22
Quebrando a Bancaassistir 5 4,02 75,79
88 Minutosassistir 2 3,59 12,63
Horton e o Mundo dos Quem!assistir 7 2,49 147,96
10º Deceptionassistir estréia 2,31 2,31

Voando com celulares, um novo inconveniente nas viagens aéreas?

As companhias aéreas na Europa vêm abrindo caminho para permitir chamadas de telefones celulares nos aviões

Jeff Reiman, leitor de Menton, na França, resumiu sucintamente: "por que raios os aviões iriam permitir aos passsageiros usarem seus celulares durante os vôos? Será que eles estão tentando arruinar completamente a experiência de viagem área?"

Voar é uma experiência que normalmente é suportada, e não desfrutada, mesmo nas melhores ocasiões. Agora imagine voar com uma cacofonia de toques de celulares em toda a cabine.

Reiman é um dos muitos leitores que estão reagindo às notícias da imprensa de que a Europa abriu caminho para permitir chamadas de telefones celulares nos aviões que voam no espaço aéreo europeu -alocando espaço no espectro de ondas de rádio para os sistemas base de telefone celular nas aeronaves, chamados de celulares "pico". As chamadas são encaminhadas para redes terrestres via links de satélites. Ainda é necessária a aprovação das chamadas pela Agênica Européia de Segurança na Aviação. As operadoras de celulares em 20 países europeus já deram sua aprovação.

Viviane Reding, comissária de telecomunicações da UE, alertou as opearadoras e companhias aéras para manterem os custos das chamadas num "nível razoável"; e assegurarem que as pessoas usando o serviço nos vôos "não perturbem os demais passageiros". Os pilotos poderão impedir as chamadas de voz durante os "períodos de silêncio" dos vôos de longa distância.

As companhias aéras poderão optar por dois sistemas similares: o OnAir -empreendimento conjunto entre a Airbus e a Sita (fornecedora de serviços de comunicações para aerolíneas, sediada em Genebra) -e a AeroMobile, formada pela Arinc (fornecedora americana de serviços de transporte e comunizações) e a Telenor, companhia de telefonia celular norueguesa.

A Emirates diz ter sido a primeira companhia aérea do mundo a permitir que os passageiros fizessem chamadas de voz nos vôos entre Dubai e Casablanca em 20 de março. A companhia planeja estender o serviço para o resto de sua frota ainda este ano. Os funcionários dos aviões pedirão aos passageiros para colocarem seus telefones em modo silencioso ou vibratório ao usá-los dentro do avião.

A Air France deu início a uma tentativa de seis meses em dezembro em um Airbus 318 que voava entre a Europa e o norte da África. Durante os primeiros três meses, os passageiros podiam apenas mandar e receber SMS e e-mails com um Blackberry ou outro aparelho. A partir de 2 de abril, foram permitidas as chamadas de voz. Os resultados dos testes, que terminam em julho, ajudarão a Air France a saber o que os passageiros querem.

Há um mundo inteiro de divergências nas atitudes em relação às chamadas de voz e dados nos vôos.

Em novembro de 2005, uma pesquisa mundial da Skytrax (www.airlinequality.com) com 682.456 passageiros em 76 países revelou que "mais de 89% dos passageiros das companhias aéreas eram contra a idéia de permitir o uso de telefones celulares em vôos para nada mais além de mensagens de texto e e-mail."

Uma pesquisa da Associação Internacional de Passageiros de Companhias Aéreas feita com 1.162 membros em todo o mundo, revelou que apenas metade deles acham útil fazer e receber chamadas durante os vôos.

De acordo com Charlie Pryor, porta-voz da OnAir em Londres, a British Midland e a Air Portugal começarão em breve testes similares ao da Air France. A Ryanair lançará a tecnologia em 25 aeronaves em junho sem fazer nenhum teste. A Oman Air, Royal Jordanian Airlines, Jazeera Airways e a Air Asia planejam instalar serviços de voz e dados nos seus vôos. E a companhia aérea chinesa de tarifas baixas Shenzen planeja instalar o equipamento OnAir "a tempo para os Jogos Olímpicos."

A Lufthansa ainda não decidiu se vai oferecer o serviço de chamadas de voz em seus vôos depois que seus passageiros se opuseram à novidade, devido principalmente ao receio de serem incomodados em vôos noturnos. A Qantas anunciou que permitirá aos passageiros enviarem e receberem mensagens de texto e e-mail com seus próprios telefones nos vôos domésticos -mas nada de chamadas de voz.

A maioria das companhias aéras parece ter adotado uma posição de esperar para ver. Samantha Day, porta-voz da EasyJet, disse: "Estamos no começo; é um assunto bastante controverso."

Na American Airlines, Richard Hodges, diretor de comunicação corporativa para a Europa, o Oriente Médico e o Pacífico, disse: "Atualmente, não temos planos, exceto um teste nas rotas domésticas para serviços de dados apenas."

Michael Johnson, porta-voz da British Airways, disse que a companhia está considerando o assunto com cuidado. "Mas nos guiaremos a partir do feedback dos passageiros."

Uma porta-voz da Virgin Atlantic, Charlotte Tidball, disse que a companhia estava "estudando a tecnologia."

As autoridades nos Estados Unidos se opõem veementemente contra o uso de telefones celulares durante os vôos, citando o risco de que os sinais dos telefones interfiram nos sistemas de navegação.

De acordo com a Sita, "a decisão das autoridades americanas de banir o uso de telefones celulares nos vôos não terão nenhum impacto sobre o que está acontecendo hoje na Europa." Mas certamente afetará as chamadas nos vôos transatlânticos.

sábado, 3 de maio de 2008

Nadadoras brasileiras garantem vagas em Pequim

As nadadoras brasileiras Poliana Okamoto e Ana Marcela Cunha garantiram vaga para as olimpíadas de Pequim neste sábado, aumentando para 215 o número de atletas na delegação do Brasil.

As brasileiras participaram, do 5º Mundial de Maratonas Aquáticas, disputado em Sevilha e classificatório para Pequim..

Poliana é a atual vice-campeã mundial nas provas de 5 e 10 quilômetros, medalha de prata nos 10 quilômetros nos Jogos Pan-Americanos em 2007, disputado no Rio de Janeiro, chegou na sexta colocação..

Ana Marcela, a revelação da modalidade, chegou em décimo lugar. A grande favorita Larissa Ilchenko, da Rússia, foi a campeã da prova. A prova teve início às 10h local (5h no horário de Brasília) e foi realizada no rio Gualdaquivir.

Para um país enviar duas atletas aos Jogos Olímpicos é necessário que seus dois maratonistas fiquem entre os dez melhores do Mundial de Sevilha. Caso somente um termine entre os primeiros não é possível classificar outro atleta.

Neste domingo acontece a etapa masculina do torneio, também valendo classificação para os jogos de Pequim. O Brasil será representado pela dupla Alan do Carmo e Marcelo Romanelli. A prova tem início às 10h local (5h de Brasília).

Ainda haverá o Pré-Olímpico, a ser disputado em Pequim, para os que não garantirem vaga.

STF pode reconhecer união civil de homossexuais

Ação impetrada pelo governo do Rio no Supremo reconhece a união civil entre pessoas do mesmo sexo

Uma ação impetrada pelo governo do Rio de Janeiro no Supremo Tribunal Federal (STF) pode abrir caminho, via Judiciário, para o reconhecimento legal da união entre pessoas do mesmo sexo. Até hoje o Congresso não aprovou nem uma lei sequer sobre os direitos dos homossexuais.

O governador Sérgio Cabral (PMDB) entrou com a ação no Supremo alegando que o Estatuto dos Servidores Civis do estado pode ser 'interpretado de maneira discriminatória em relação aos homossexuais'.

O governo fluminense quer garantir aos parceiros de servidores o direito de receber pensão, desde que comprovada a união estável. Com base no caso, Cabral pede que o Supremo aplique o regime jurídico da união estável também às chamadas uniões homoafetivas. O caso está nas mãos do ministro Carlos Ayres Britto, que ainda não tem data para apresentar seu relatório.

Em 2006, ao julgar uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin), o ministro Celso de Mello afirmou que a união homossexual deve ser reconhecida como uma entidade familiar e não apenas como 'sociedade de fato'.

A opinião do ministro foi explicitada quando o Supremo examinou a Adin proposta pela Associação Parada do Orgulho Gay, que contestou a definição legal de união estável descrita no Código Civil. O texto define união estável como aquela 'entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família'.

Celso de Mello extinguiu o processo por razões técnicas, mas indicou que o assunto deveria retornar ao STF por uma argüição de descumprimento de preceito fundamental. O instrumento jurídico é utilizado para questionar, entre outras coisas, a constitucionalidade de normas anteriores à promulgação de uma Constituição.

Primeiro passo

O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), Toni Reis, diz que a decisão do Supremo pode superar a resistência do Congresso Nacional em aprovar um projeto de lei que reconheça a união.

'Estamos torcendo para que passe. Nós temos vários casos de jurisprudência nos estados, então não precisaria passar pelo Congresso', acredita. Ele lembra que uma das promessas do governo Lula foi a criação de uma lei anti-homofobia.

Uma proposta que torna crime a discriminação de homossexuais, passível de até cinco anos de prisão, está parada desde o ano passado na Comissão de Direitos Humanos do Senado, onde enfrenta forte resistência. O texto, porém, já passou pela Câmara.

Reconhecimento pleno

Para a procuradora regional da República em São Paulo Luiza Cristina Frischeisen, uma decisão favorável do Supremo na ação proposta pelo governo do Rio equivale reconhecer a união entre pessoas do mesmo sexo, concedendo a elas todos os benefícios decorrentes como herança, partilha de bens, entre outros.

Luiza diz que, nessa situação, juízes de primeira instância não poderão mais indeferir as ações que versem sobre os direitos de união estável, argumentando que não há previsão legal.

'O juiz não vai poder dizer que não existe a norma. Por analogia, vai ser aplicada a lei de união estável', argumenta.

Para a procuradora, uma decisão nesse sentido não é só importante do ponto de vista do direito da família, mas também por reconhecer os direitos de uma categoria excluída da legislação.

'O reconhecimento da união homossexual tem uma questão do direito de família e sucessões, porque é importante pela mesma razão que é para a gente. É uma questão clássica do direito civil, de reconhecer os direitos de uma categoria como, por exemplo, o reconhecimento que permitiu que as mulheres e os estrangeiros votassem', explica.

Ela afirma que, apesar de existirem contratos registrados em cartório reconhecendo a união de duas pessoas do mesmo sexo, isso não garante o acesso a grande parte dos benefícios previstos em lei para os casais heterossexuais.

Resistência

No Congresso, tramita há 13 anos um projeto de lei de autoria da ex-deputada Marta Suplicy (PT-SP) que reconhece a união de casais do mesmo sexo. A proposta da atual ministra do Turismo prevê apenas o direito à herança, aos benefícios previdenciários e à nacionalidade – esse último no caso de estrangeiros que vivem com brasileiros.

O projeto já é considerado ultrapassado, pois não dá à união gay status de casamento nem de constituição de família, muito menos permite a adoção, algumas das principais bandeiras defendidas pelas organizações GLBT. Em 2001, a proposta foi retirada da pauta do plenário após acordo entre os líderes partidários. No ano passado, o deputado Celso Russomanno (PP-SP) pediu a inclusão do texto na Ordem do Dia. Mas a proposição continua na gaveta, sem qualquer perspectiva de votação.

O tema polêmico encontra barreiras no Congresso, especialmente entre deputados e senadores ligados às igrejas católica e evangélica. O deputado Pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ), integrante da Frente Parlamentar Evangélica, é um dos que se dizem radicalmente contra a união de homossexuais.

'Tudo que venha contra os ensinamentos da bíblia eu sou contra. Dentro dos princípios bíblicos eu não posso aceitar isto. Homem com homem e mulher com mulher não gera nada, só gera confusão', afirma.

Caminho longo

Por causa da resistência no Legislativo, os ativistas do movimento gay apostam suas fichas no Judiciário, que tem demonstrado mais abertura para o tema. Ainda assim, ninguém arrisca a dizer quando o STF dará sua palavra sobre a união entre pessoas do mesmo sexo.

O relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, o mesmo que deu voto favorável à realização de pesquisas com células-tronco, ainda não sinalizou quando apresentará suas conclusões. Ayres Britto já pediu aos tribunais de Justiça de todo o país que enviem informações de como os juízes de primeira instância estão julgando os casos de reconhecimento de união homossexual. Nem todas as cortes, porém, encaminharam as informações até agora.

STF pode reconhecer união civil de homossexuais

Ação impetrada pelo governo do Rio no Supremo reconhece a união civil entre pessoas do mesmo sexo

Uma ação impetrada pelo governo do Rio de Janeiro no Supremo Tribunal Federal (STF) pode abrir caminho, via Judiciário, para o reconhecimento legal da união entre pessoas do mesmo sexo. Até hoje o Congresso não aprovou nem uma lei sequer sobre os direitos dos homossexuais.

O governador Sérgio Cabral (PMDB) entrou com a ação no Supremo alegando que o Estatuto dos Servidores Civis do estado pode ser 'interpretado de maneira discriminatória em relação aos homossexuais'.

O governo fluminense quer garantir aos parceiros de servidores o direito de receber pensão, desde que comprovada a união estável. Com base no caso, Cabral pede que o Supremo aplique o regime jurídico da união estável também às chamadas uniões homoafetivas. O caso está nas mãos do ministro Carlos Ayres Britto, que ainda não tem data para apresentar seu relatório.

Em 2006, ao julgar uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin), o ministro Celso de Mello afirmou que a união homossexual deve ser reconhecida como uma entidade familiar e não apenas como 'sociedade de fato'.

A opinião do ministro foi explicitada quando o Supremo examinou a Adin proposta pela Associação Parada do Orgulho Gay, que contestou a definição legal de união estável descrita no Código Civil. O texto define união estável como aquela 'entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família'.

Celso de Mello extinguiu o processo por razões técnicas, mas indicou que o assunto deveria retornar ao STF por uma argüição de descumprimento de preceito fundamental. O instrumento jurídico é utilizado para questionar, entre outras coisas, a constitucionalidade de normas anteriores à promulgação de uma Constituição.

Primeiro passo

O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), Toni Reis, diz que a decisão do Supremo pode superar a resistência do Congresso Nacional em aprovar um projeto de lei que reconheça a união.

'Estamos torcendo para que passe. Nós temos vários casos de jurisprudência nos estados, então não precisaria passar pelo Congresso', acredita. Ele lembra que uma das promessas do governo Lula foi a criação de uma lei anti-homofobia.

Uma proposta que torna crime a discriminação de homossexuais, passível de até cinco anos de prisão, está parada desde o ano passado na Comissão de Direitos Humanos do Senado, onde enfrenta forte resistência. O texto, porém, já passou pela Câmara.

Reconhecimento pleno

Para a procuradora regional da República em São Paulo Luiza Cristina Frischeisen, uma decisão favorável do Supremo na ação proposta pelo governo do Rio equivale reconhecer a união entre pessoas do mesmo sexo, concedendo a elas todos os benefícios decorrentes como herança, partilha de bens, entre outros.

Luiza diz que, nessa situação, juízes de primeira instância não poderão mais indeferir as ações que versem sobre os direitos de união estável, argumentando que não há previsão legal.

'O juiz não vai poder dizer que não existe a norma. Por analogia, vai ser aplicada a lei de união estável', argumenta.

Para a procuradora, uma decisão nesse sentido não é só importante do ponto de vista do direito da família, mas também por reconhecer os direitos de uma categoria excluída da legislação.

'O reconhecimento da união homossexual tem uma questão do direito de família e sucessões, porque é importante pela mesma razão que é para a gente. É uma questão clássica do direito civil, de reconhecer os direitos de uma categoria como, por exemplo, o reconhecimento que permitiu que as mulheres e os estrangeiros votassem', explica.

Ela afirma que, apesar de existirem contratos registrados em cartório reconhecendo a união de duas pessoas do mesmo sexo, isso não garante o acesso a grande parte dos benefícios previstos em lei para os casais heterossexuais.

Resistência

No Congresso, tramita há 13 anos um projeto de lei de autoria da ex-deputada Marta Suplicy (PT-SP) que reconhece a união de casais do mesmo sexo. A proposta da atual ministra do Turismo prevê apenas o direito à herança, aos benefícios previdenciários e à nacionalidade – esse último no caso de estrangeiros que vivem com brasileiros.

O projeto já é considerado ultrapassado, pois não dá à união gay status de casamento nem de constituição de família, muito menos permite a adoção, algumas das principais bandeiras defendidas pelas organizações GLBT. Em 2001, a proposta foi retirada da pauta do plenário após acordo entre os líderes partidários. No ano passado, o deputado Celso Russomanno (PP-SP) pediu a inclusão do texto na Ordem do Dia. Mas a proposição continua na gaveta, sem qualquer perspectiva de votação.

O tema polêmico encontra barreiras no Congresso, especialmente entre deputados e senadores ligados às igrejas católica e evangélica. O deputado Pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ), integrante da Frente Parlamentar Evangélica, é um dos que se dizem radicalmente contra a união de homossexuais.

'Tudo que venha contra os ensinamentos da bíblia eu sou contra. Dentro dos princípios bíblicos eu não posso aceitar isto. Homem com homem e mulher com mulher não gera nada, só gera confusão', afirma.

Caminho longo

Por causa da resistência no Legislativo, os ativistas do movimento gay apostam suas fichas no Judiciário, que tem demonstrado mais abertura para o tema. Ainda assim, ninguém arrisca a dizer quando o STF dará sua palavra sobre a união entre pessoas do mesmo sexo.

O relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, o mesmo que deu voto favorável à realização de pesquisas com células-tronco, ainda não sinalizou quando apresentará suas conclusões. Ayres Britto já pediu aos tribunais de Justiça de todo o país que enviem informações de como os juízes de primeira instância estão julgando os casos de reconhecimento de união homossexual. Nem todas as cortes, porém, encaminharam as informações até agora.