O filme "Homem de Ferro" deve arrecadar cerca de US$ 100, 7 milhões (R$ 165,7 milhões) nos cinemas dos Estados Unidos e do Canadá desde a última sexta-feira (2) até o fim da noite deste domingo, segundo previsões dos estúdios Paramount.
Caso a estimativa se confirme, a bilheteria do filme baterá de longe as expectativas iniciais de arrecadação entre US$ 70 milhões (R$ 115,2 milhões) e US$ 80 milhões (R$ 131,6 milhões).
O filme pode arrecadar, ao total, US$ 104, 2 milhões (R$ 171,5 milhões) desde a última quinta-feira (1º), quando ocorreram pré-estréias nos Estados Unidos, até hoje à noite.
No período, o filme somente irá arrecadar menos que os US$ 114,8 milhões (R$ 188,9 milhões) de "Homem-Aranha" em maio de 2002.
No filme, Robert Downey Jr. interpreta um industrial bilionário, o playboy Tony Stark, que entra em crise ao mesmo tempo que inventa uma armadura que o transforma em super herói.
| Reuters | ||
| Robert Downey Jr. em cena de "Homem de Ferro", que pode arrecadar até US$ 100,7 milhões (R$ 165,7 milhões) |
Dependência de drogas, passagens freqüentes em delegacias, e longas temporadas em centros de reabilitação foram, durante anos, parte da rotina do ator Robert Downey Jr.
Apesar disso, o ator parece ter dado a volta por cima, e uma prova disso foi sua escolha para interpretar o protagonista de "Homem de Ferro", o mais rebelde dos super-heróis, que estreou nos cinemas brasileiros.
A crítica especializada foi unânime em apontar o ator como um dos melhores intérpretes de sua geração. Agora, graças a Tony Stark, verdadeira identidade do "Homem de Ferro", a quem Downey Jr. concede um "grande paralelismo" com sua própria vida, o ator poderá expiar seus pecados pessoais e conseguir a redenção aos olhos do público.
| 14.abr.08/Patrick Riviere /Reuters |
| Ator Robert Downey Jr. em evento devido à estréia de "Homem de Ferro" na Austrália |
E quem diria que o gosto pelo risco, que esteve a ponto de desviá-lo de uma das carreiras mais promissoras de Hollywood na década de 1990, serviria como base para o papel pelo qual será lembrado por milhões de pessoas?
O Homem de Ferro se destaca, tanto na história em quadrinhos da Marvel como no filme dirigido por Jon Favreau, por seu gosto pelo jogo, pelo álcool e pelas mulheres, que o transforma em um verdadeiro playboy.
Downey Jr., de 43 anos, concorreu ao Oscar como melhor ator pelo filme "Chaplin" (1992), mas sua carreira sofreu um duro revés devido à sua atração pelas drogas, com as quais conviveu de sua infância até 2002, quando se livrou da dependência.
Nessa data, o juiz Randall White colocou um ponto final aos três anos de liberdade condicional que o ator estava cumprindo após ter permanecido um ano completo em um programa de reabilitação.
As primeiras detenções do nova-iorquino, nascido no boêmio bairro de Greenwich Village e filho do diretor de cinema underground Robert Downey, seguidos de uma reincidência e inclusive da violação de sua liberdade condicional, o levaram a cumprir pena na prisão de Corcoran (Califórnia) durante mais de um ano, até 2000.
Naquele mesmo ano, quando se falava de uma recuperação, não só pessoal, mas artística --pois Downey Jr. ganhou o Globo de Ouro por seu trabalho na série "Ally McBeal"--, o ator voltou a ser detido por posse de drogas em um hotel de Palm Springs (Califórnia).
Por causa da detenção, Downey Jr. permaneceu praticamente afastado do público e recebeu ajuda em um centro de reabilitação.
Seu retorno definitivo começou em 2003 pelas mãos de seu amigo Mel Gibson, com quem compartilhou cenas em "Crimes de um Detetive" (2003), e continuou graças ao sucesso de bilheteria "Na Companhia do Medo" (2003), com Halle Berry.
Em 2004 ele se divorciou de Deborah Falconer, com quem se casou em 1992, mas em agosto de 2005 voltou a se casar, desta vez com a produtora Susan Levin.
Nesse ano, recebeu de novo o elogio da crítica por "Beijos e Tiros" (2005), lançou um trabalho fonográfico ("The Futurist") e apareceu em um papel secundário em "Boa Noite, Boa Sorte" (2005), de George Clooney.
Ele, no entanto, voltou a demonstrar grande estilo em "Zodíaco" (2007), filme de suspense dirigido por David Fincher.
O papel do jornalista Paul Avery também guardava alguma semelhança com seus antigos hábitos na vida real, já que, ao lado da obsessiva investigação sobre os crimes do assassino do Zodíaco em San Francisco da década de 1970, sua dependência ao álcool e às drogas terminam por destruí-lo.
Embora pareça que Downey Jr. possa ter deixado para trás definitivamente a etapa conflituosa de sua vida, os estúdios ainda enfrentam as seguradoras, que preferem não cobrir sua participação nos filmes por medo de uma possível recaída.
"Homem de Ferro" mostra herói quarentão no Afeganistão
Ela é a primeira das superproduções da temporada de verão norte-americana a chegar às telas (em 30 de abril, no Brasil, e dois dias depois nos EUA), e a Folha fez parte da primeira platéia a assisti-la, na semana passada, na Cidade do México.
"Homem de Ferro", estréia cinematográfica de um dos mais antigos personagens de Stan Lee (criado em 1963), tem gerado grande expectativa nos fãs e em seus criadores -é o primeiro filme inteiramente financiado pela Marvel, uma das maiores editoras de HQ do mundo, como estúdio.
E, para surpresa de muitos, capitaneando uma produção de US$ 186 milhões (R$ 314 milhões) está um diretor (Jon Favreau) mais conhecido como ator (e, mesmo assim, pouco célebre) e, envergando o traje metálico vermelho e dourado, um dos maiores "bad boys" de Hollywood, Robert Downey Jr.
"Acho que o fato de sermos o primeiro [blockbuster] do verão nos favorece, e a expectativa que criamos parece ser positiva: o trailer foi visto milhões de vezes on-line, temos conseguido um bom boca-a-boca dos fãs e muito apoio para o lançamento" disse à Folha o diretor.
Para não frustrar as expectativas, Favreau apostou em duas regras básicas: fidelidade aos quadrinhos ("Nós somos a Marvel, essa é uma das vantagens de ter controle total da produção") e efeitos especiais surpreendentes.
"A tecnologia de hoje oferece, pela primeira vez, maneiras de apresentar na tela aquilo que ele faz nas HQs", afirmou Favreau. E "aquilo que ele faz" não é pouco: além de viver rodeado de engenhocas futuristas, recriadas com perfeição, o bilionário Tony Stark inventa um avançadíssimo traje que o permite voar em velocidade supersônica, disparar rajadas de energia e ainda falar ao telefone enquanto combate o crime.
Atualização política
O filme atualiza a origem do herói: Tony Stark é um bilionário fabricante de armas e inventor genial que, durante um teste com sua mais nova arma de destruição em massa, no Afeganistão (em vez do Vietnã da HQ), acaba ferido e seqüestrado por guerrilheiros. Forçado a construir uma arma para os inimigos, ele se dá conta dos malefícios de suas invenções e decide criar um traje especial que lhe permita não apenas viver (pois o ferimento, causado por uma de suas próprias armas, pode matá-lo) mas também combater o mal.
"Ele é o único herói que não é um garoto na lanchonete da escola preocupado em arranjar uma namorada. É um homem que viveu 40 anos de certo modo, passa por uma espécie de despertar moral e se transforma. Ele não é picado por uma aranha ou recebe algum poder divino. Ele mesmo constrói o traje, decide mudar sua vida e sua visão de mundo."
As nítidas referências à política atual dos EUA foram o que mais chamou a atenção dos jornalistas que assistiram à sessão, para preocupação do diretor e do protagonista -afinal, "política" é o tipo de tema que afugenta fãs de filmes-pipoca.
"Muita gente tem comentado: "esse é um filme bastante político, não?", e não sei se fizemos nosso trabalho direito, se for essa a visão que ele passa", disse Downey Jr.

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