sábado, 1 de março de 2008

XP é mais rápido que Vista SP1 em alguns casos, mostra teste da Microsoft

Ao sair do modo de hibernação, versão antiga supera a nova em testes, revela pesquisa encomendada pela própria Microsoft.

O Windows XP é mais rápido que Windows Vista Service Pack 1 (SP1) para executar tarefas de usuários de negócios e consumo após sair do modo de hibernação, segundo testes encomendados pela própria Microsoft.

Os testes de performance, feitos pela Principled Technologies a pedido da Microsoft, mostraram que o XP é mais rápido que o Vista SP1 em 61% das operações agrupadas em um teste de consumo. A versão antiga também supera a nova em velocidade em 46% das operações do grupo de negócios.

Os resultados foram medidos a partir de testes com PCs idênticos saindo do modo standby, recurso de economia de energia do Windows.

No entanto, quando os mesmos testes foram feitos após um boot comum, o Vista SP1 se mostrou mais rápido em 74% das operações de consumo e 66% das operações de negócios.

Mas independente do sistema operacional que se saiu melhor em cada teste, a diferença foi pequena em praticamente todos os casos.

A diferença total entre XP e Vista SP1 nas tarefas de consumo, por exemplo, não passou de 5 segundos; das 64 funções de negócios avaliadas, 60 acusaram diferença de menos de meio segundo

Os testes foram feitos com dois notebooks e dois desktops, das marcas Dell, Hewlett-Packard e Toshiba.

Um dos sistemas testados – da HP – teve seus resultados excluídos, pois teve um desempenho fora da média. Curiosamente, o XP rodou muito mais rápido na máquina que o Vista SP1.

“No geral, o Windows Vista SP1 e o Windows XP tiveram desempenho comparável na maior parte das operações testadas”, disse a Principled Technologies.

Os testes divergem de outras experiências anteriores. Um teste feito pelo Computerworld, por exemplo, mostrou que a cópia de arquivos – função que a Microsoft afirmou ter gasto um tempo considerável aprimorando no SP1 – permaneceu bem mais lenta no Vista que no XP.

Os usuários também criticaram a atualização. “Todo esse trabalho no Service Pack 1 e ele só é um quarto de segundo mais rápido?”, questionou um usuário com o apelido de "eponymousnyc", no blog do Windows Vista.

A pesquisa completa pode ser baixada no site da Principled Technologies.

Corte de preços do Windows Vista não valerá para o Brasil, diz Microsoft

Microsoft Brasil relaciona impossibilidade de cortes no Windows Vista, anunciados globalmente, com diminuição dos preços do XP no país.

Os cortes de preços nas quatro versões embaladas do Windows Vista, anunciadas pela Microsoft nesta quinta-feira (28/02), não valerão para o mercado brasileiro, confirmou o braço nacional da empresa.

"A decisão não afetará o Brasil neste momento, uma vez que os valores do produto Windows têm sido reduzidos desde 2005", afirma a Microsoft Brasil, relacionando a impossibilidade de queda no preço do Vista em decorrência de cortes no XP.

O lançamento mundial do Windows Vista para consumidores finais, inclusive no Brasil, foi no dia 30 de janeiro de 2007.

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A companhia não esclareceu qual a relação entre a manutenção do preço do Vista no mercado nacional e supostos cortes de preços na versão anterior do sistema operacional, o Windows XP.

Segundo o anúncio divulgado pela Microsoft, os preços das quatro versões do Windows Vista em caixas sofrerão cortes ainda não oficializados de preços a partir das próximas semanas como forma de marcar o lançamento do Service Pack 1 do Vista.

A companhia de software afirmou que as diminuições deverão se concentrar nos países em desenvolvimento, onde o sistema operacional poderá ter seu preço cortado até pela metade.

Em mercados mais maduros, como Europa e Estados Unidos, os cortes deverão ser menos impactantes.

Confira, ponto a ponto, as regras para declaração do IR 2008

A Receita Federal divulgou nesta segunda-feira as regras para a entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2008 (ano-base 2007), que começa no dia 3 de março. Confira os principais pontos e as mudanças para este ano.

Data da entrega: 3 de março a 30 de abril. A multa para quem entregar após o prazo alcança 1% ao mês do valor devido, sendo que a multa mínima será de R$ 165,74 e a máxima, de 20% do débito.

Forma de entrega: Gratuitamente, pela internet e pelas agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. A um custo de R$ 3,50, em formulário nas agências dos Correios.

Quem é obrigado a fazer:

- contribuinte que recebeu rendimentos tributáveis superiores a R$ 15.764,28;

- que recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis --como indenização trabalhista ou FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)-- ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40 mil;

- quem tinha posse ou propriedade em 31 de dezembro com valor superior a R$ 80 mil;

- contribuinte que adquiriu receita bruta com atividade rural acima de R$ 78.821,40;

- contribuinte que fez operações em Bolsa;

- quem participou do quadro societário de uma empresa;

- contribuinte que alienou bens em que foi apurado ganho de capital com incidência do imposto.

NOVAS REGRAS

Recibo anterior
O contribuinte é obrigado a informar o número do recibo da declaração de entrega do ano anterior. Para quem tiver perdido esse número, a única saída é procurar a Receita Federal.

Endereço
O contribuinte está obrigado a corrigir o endereço caso o CEP informado não seja o mesmo existente na base de dados da Receita.

Auto-regularização
O contribuinte será avisado pelo programa do IR sobre pendências referentes a anos anteriores. O aviso virá no rodapé do recibo de entrega.

PARA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA

Desconto

- O desconto simplificado é de 20% na renda bruta --limitado a R$ 11.669,72. Neste tipo de declaração, não é possível fazer deduções.

Rendimentos

- Nos recebidos de pessoa física, será obrigatório informar os valores mensais recebidos, e não apenas o global.

PARA DECLARAÇÃO COMPLETA

Deduções permitidas

- Por dependentes: R$ 1.584,60

- Educação: R$ 2.480,66 para o titular e o mesmo valor para cada dependente

- Previdência privada: limitado a 12% dos rendimentos

- Saúde: não há limite para dedução com gastos em saúde.

- Empregados domésticos: dedução da contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que vale para contribuição sobre até um salário mínimo e está limitada por ano a até R$ 593,60.

- Dependentes: Contribuinte agora é obrigado informar o CPF dos dependentes maiores de 18 anos.

- Rendimentos recebidos de pessoa física: será obrigatório informar os valores mensais recebidos, e não apenas o global, tanto na declaração simplificada como na completa.

- Doações: contribuinte será obrigado a informar o CPF (Cadastro da Pessoa Física) e o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) do beneficiário de doações.

DECLARAÇÃO POR FORMULÁRIO

Não podem mais fazer declaração por papel o contribuinte que:

- recebeu rendimentos tributáveis de pessoas físicas ou do exterior;

- precisar incluir dependentes que tenham tido alguma renda no ano passado;

- tenha tido participação acionária em qualquer empresa no ano passado

- queira abater a contribuição ao INSS dos empregados domésticos;

- fez doações a partidos políticos;

- irá apresentar a declaração em nome de espólio

Entrega da declaração do IR começa na segunda-feira

Começa nesta segunda-feira e vai até o dia 30 de abril a entrega da declaração do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física) de 2008, referente ao ano de 2007.

O Imposto de Renda é o principal tributo federal brasileiro. Foi responsável por uma arrecadação de R$ 160,137 bilhões no ano passado, sendo R$ 76,626 bilhões através da retenção do imposto na fonte sobre rendimentos de trabalho, e R$ 13,655 bilhões pagos pelas pessoas físicas.

As principais novidades da declaração desse ano são a obrigatoriedade de informar o número do recibo da declaração entregue no ano passado; a necessidade de informar CPF ou CNPJ de dependentes maiores de 18 anos e de empresas e pessoas favorecidas por doações; e uma restrição maior para a entrega por formulário de papel --fatia que corresponde a menos de 2% do total de declarações.

Os programas para download serão disponibilizados a partir das 8h do dia 3 de março no site da Receita . A expectativa é que 24,5 milhões de pessoas enviem o documento neste ano, ante cerca de 23,5 milhões em 2007.

A entrega é obrigatória para o contribuinte que recebeu rendimentos tributáveis superiores a R$ 15.764,28; ou que recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis --como indenização trabalhista ou FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)-- ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40 mil e para quem tinha posse ou propriedade em 31 de dezembro com valor superior a R$ 80 mil.

Também estão obrigados a fazer a declaração do IR o contribuinte que teve receita bruta com atividade rural acima de R$ 78.821,40; que fez operações em Bolsa; participou do quadro societário de uma empresa; e alienou bens em que foi apurado ganho de capital com incidência do imposto.

Além da entrega pela internet, o contribuinte pode optar ainda por entregar gratuitamente em disquete ou CD nas agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal e em formulário nas agências dos Correios a um custo de R$ 3,50.

A multa para quem entregar após o prazo alcança 1% ao mês do valor devido, sendo que a multa mínima será de R$ 165,74 e a máxima, de 20% do débito. A partir do dia 3, o contribuinte poderá tirar dúvidas sobre a declaração do IR pelo telefone 0300-7890300.

As regras para a declaração simplificada foram mantidas. Esta opção dá um desconto de 20% na renda bruta --limitado a R$ 11.669,72. Nesta declaração, não é possível fazer deduções.

A Receita Federal incluiu novas regras para restringir a entrega por meio de formulário de papéis. No ano passado, foram entregues 304 mil por este meio.

Neste ano, o contribuinte que recebeu rendimentos tributáveis de pessoas físicas ou do exterior não poderá fazer a entrega da declaração por formulário, assim como quem incluir dependentes que tenham tido alguma renda no ano passado --mesmo não tributada.

Também está impedido a preencher o formulário os contribuintes que tenham tido participação acionária em qualquer empresa no ano passado ou que queiram abater a contribuição ao INSS dos empregados domésticos.

Aqueles que fizeram doações a partidos políticos ou que irão apresentar a declaração em nome de espólio também estão impedidos de usar o papel no preenchimento e entrega da declaração do IR.

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Brasil já é o 6º maior fabricante de carros do mundo

Com os resultados excepcionais do mercado automotivo em 2007, o Brasil ultrapassou a Espanha e a França e se tornou o sexto maior produtor de carros do mundo.

Foram 2,97 milhões de veículos fabricados no país no ano passado, 14% a mais do que em 2006. O crescimento colocou o Brasil atrás do Japão, dos Estados Unidos, da China, da Alemanha e da Coréia do Sul.

"A tendência é que esse ranking, daqui a algum tempo, tenha apenas emergentes entre os maiores produtores", afirma Stefano Bridelli, diretor da consultoria Bain & Company. "Se fossem levados em consideração apenas os critérios econômicos, as montadoras já teriam fechado pelo menos metade de suas fábricas na Europa."

As montadoras na França tiveram um ano particularmente ruim. Segundo o CCFA (Comité des Constructeurs Français d'Automobiles), a produção francesa encolheu 7,8% em 2007, ficando em 2,57 milhões de carros.

O grupo Peugeot/Citroën produziu 7% menos do que em 2006, e a Renault reduziu a fabricação em quase 10% na França. Com tais resultados, o país, que ocupava a sexta posição entre os maiores fabricantes, passou à nona classificação. Foi ultrapassado não só pelo Brasil como também pela Espanha e pelo Canadá.

Na Espanha, a Anfac (Asociacion Española de Fabricantes de Automoviles y Camiones) informou que as montadoras produziram 2,88 milhões de unidades em 2007. O número é 4% superior ao de 2006, porém o bom desempenho do mercado brasileiro permitiu a ultrapassagem.

Mercado menor

As duas associações de fabricantes européias ressaltam, em suas previsões, esperar um 2008 de crescimento ainda menor. Em janeiro, as vendas na França encolheram 5,4% em relação ao mesmo mês de 2007.

Na Espanha, as expectativas são que o mercado cresça por volta de 1% em 2008. As montadoras estudam maneiras para se manter competitivas.

A expectativa no Brasil também é de um ano de menor crescimento. Mesmo assim, bem maior do que o de países maduros, com alta nas vendas em torno de 10%, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

De acordo com a entidade, 2007 foi o melhor ano da história da indústria automotiva no país. Além da produção recorde, foram licenciados 2,4 milhões de carros novos, que representam incremento de 27,8% em relação a 2006.

Os principais motivos foram a redução nas taxas de juros e o aumento do acesso ao crédito.
Impulsionados por tais resultados, as montadoras presentes no país já anunciaram investimentos superiores a R$ 8 bilhões até 2010.

Procurada pela Folha, a Anfavea informou que só poderá comentar a nova posição do Brasil entre os países fabricantes quando o ranking oficial do setor no mundo, organizado pela Oica (Organisation Internationale des Constructeurs d'Automobiles), for publicado, neste mês.

Confira o que muda com o novo mínimo

O novo salário mínimo de R$ 415, que entra em vigor hoje, altera uma série de valores da economia, entre eles o valor recebido pelos trabalhadores e pelos aposentados e pensionistas da Previdência Social.

Com o novo mínimo, também são alteradas as contribuições ao INSS pagas pelos trabalhadores assalariados e pelos patrões e empregados domésticos, o seguro-desemprego e o abono anual do PIS/Pasep.

Todos os trabalhadores que recebem o mínimo terão aumento de 9,21% a partir de hoje, com pagamento no início de abril. Os aposentados e pensionistas do INSS que recebem entre R$ 380 e R$ 395,36 terão aumento automático para R$ 415, com pagamento no final deste mês (para quem tem benefícios com finais 1 a 5) e no início de abril (para finais 6 a 0).

Esse cálculo considera que os aposentados que ganham mais do que o mínimo terão reajuste de 4,97% também a partir de hoje -esse índice, porém, ainda não foi determinado oficialmente pelo governo, pois depende do INPC de fevereiro, que será divulgado pelo IBGE no próximo dia 11 (o governo estima uma taxa de 0,48%).

A Previdência informou que vai esperar a divulgação do INPC de fevereiro para definir o índice de reajuste para quem ganha acima do mínimo. Com o índice saindo no dia 11, haverá tempo para o INSS preparar a folha de pagamento dos benefícios referentes a março. Se houver atraso na divulgação, então o pagamento poderá ser feito com base no valor atual, pagando-se a diferença retroativa, no início de maio, com os benefícios referentes a abril.

Contribuição maior

O aumento do mínimo também eleva o valor das contribuições pagas ao INSS pelos trabalhadores assalariados, inclusive domésticos. Para quem ganha o mínimo, o valor sobe de R$ 30,40 para R$ 33,20.

Se o teto da contribuição ao INSS subir 4,97%, passará dos atuais R$ 2.894,28 para R$ 3.038,12. Com isso, o valor máximo pago pelos assalariados que ganham R$ 3.038,12 ou mais subirá de R$ 318,37 para R$ 334,19. O valor das contribuições muda também para quem ganha entre R$ 415 e R$ 3.038,12. Em alguns casos, a contribuição chega até a diminuir, pois com o reajuste dos valores da tabela o percentual cai de 9% para 8%; em outros casos, cai de 11% para 9%.

Os empregadores domésticos também pagarão mais. No caso do salário mínimo, o valor da contribuição (12%) sobe de R$ 45,60 para R$ 49,80. Considerando a situação mais comum, em que o empregador paga também a contribuição do doméstico, no total de 20%, o valor sobe de R$ 76 para R$ 83.

Para os trabalhadores autônomos, que pagam por carnê, a contribuição mínima ao INSS também sobe de R$ 76 para R$ 83; a máxima, de R$ 578,86 para R$ 607,62.

Pisos regionais

O aumento do mínimo também altera o piso salarial regional estabelecido por alguns Estados, como é o caso de São Paulo. Hoje, o mínimo determinado pelo governo paulista para algumas categorias de trabalhadores (domésticos, serventes, motoboys, entre outros) é de R$ 410. Assim, enquanto o Estado não reajustar o mínimo paulista (isso deve ocorrer em maio), valerão os R$ 415. Essa regra valerá para todos os Estados em que o piso regional for inferior a R$ 415; se for superior, permanecerá em vigor o maior dos dois valores.

Para as categorias paulistas que já ganham R$ 450 (carteiros, tintureiros, barbeiros, cabeleireiros, manicures etc.) e R$ 490 (trabalhadores de serviços de higiene e saúde etc.), nada muda por enquanto. Esses trabalhadores continuarão recebendo esses valores enquanto o piso regional paulista não for aumentado.

O seguro-desemprego também muda com o aumento do mínimo. Ele é calculado com base nos três últimos salários recebidos pelo trabalhador.

A parcela mínima subirá para R$ 415. Há três valores, conforme a faixa salarial média do trabalhador desempregado. Os demais valores serão definidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego nos próximos dias.

Também o abono anual pago pelo PIS/Pasep subirá dos atuais R$ 380 para R$ 415. Têm direito ao benefício anual os trabalhadores registrados por pelo menos um mês no ano anterior que tenham recebido até dois salários mínimos mensais.

Nova eleição do PT baiano embaralha as cartas da sucessão municipal

A decisão da Executiva Nacional do PT de realizar novas eleições internas para o partido na Bahia no próximo dia 16 repercutiu mal dentro e fora do partido. Anunciada na última segunda-feira, 25, a anulação do Processo de Eleição Direta (PED) de dezembro passado, por denúncias de fraudes, enfraquece e até ameaça uma eventual candidatura própria da legenda à Prefeitura de Salvador nas eleições municipais de outubro próximo.

Não faltou entre os oposicionistas quem visse na medida uma manobra com o propósito de empurrar a sigla para uma aliança ainda no primeiro turno com o prefeito João Henrique, candidato à reeleição pelo PMDB. "Como é que o partido do presidente Lula e do governador Jaques Wagner vai se explicar à população se não lançar candidato em Salvador?", indagou Varela, em comentário feito durante o telejornal Bahia Record, na última terça-feira.

Na opinião do radialista, que é pré-candidato do PRB à sucessão no Palácio Thomé de Souza, o maior prejudicado com a nova eleição no PT baiano foi o ex-presidente da legenda e candidato à reeleição Marcelino Gallo, que é favorável à candidatura própria do partido.

Marcelino Gallo contestou a decisão do Diretório Nacional, para quem a decisão de remarcar eleições sem apurar as denúncias de fraudes foi uma forma de empurrar a sujeira para debaixo do tapete. Questionado sobre a relação entre o processo sucessório dentro do PT e as eleições municipais, Gallo não se fez de rogado: "É uma coincidência muito grande."

O opositor de Gallo nas eleições internas, Jonas Paulo, rebateu as insinuações de Varela: "Ele não entende de democracia, tampouco de PT e por isso fez o comentário de maneira irresponsável."

Jonas Paulo tem o apoio do deputado federal Walter Pinheiro, único dos pré-candidatos petistas à sucessão municipal que admite a possibilidade de apoiar João Henrique ainda no primeiro turno.

Em entrevista ao UOL publicada no último dia 8, Walter Pinheiro declarou que 2010, quando ocorrem eleições para os governos estaduais e federal, é um ano estratégico e que "o PT não pode ficar olhando para o próprio umbigo".

Para Varela, um sinal inequívoco de que a costura da aliança PT-PMDB já está em andamento foi o almoço que reuniu o prefeito e o parlamentar petista no último sábado, 23. "Pra que é que foram almoçar juntos? Pra comer macarronada?", ironizou.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Pinheiro confirmou o almoço com o prefeito. "João Henrique estava agoniado, pedindo que o Ministério da Saúde adiantasse recursos financeiros para Salvador. Eu disse a ele para ter paciência, pois o orçamento sequer foi votado. Conversamos muito pouco sobre a sucessão", disse o deputado.

Wagner
Oficialmente, Jaques Wagner declarou que preferia ver seu partido preocupado somente com a sucessão municipal, e não envolvido com disputas internas em um ano eleitoral. Sua postura é diplomática: sabe que não pode impedir o partido de lançar candidato, mas acredita em uma aliança com João Henrique no segundo turno.

O PMDB é o maior partido da base aliada petista no plano estadual, com 9 deputados estaduais, 3 federais, 121 prefeitos, dois secretários de Estado (Indústria Comércio e Mineração e Infra-estrutura) e um ministro, Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que apoiou Wagner nas eleições de 2006.

O PT, em contrapartida, dá suporte à administração João Henrique com quatro secretários: Carlos Alberto Trindade (Saúde), Gilmar Santiago (Governo), Maria das Dores Loiola Bruni (Desenvolvimento Social ) e Antônia Garcia (Reparação).

Consenso
O deputado federal Nelson Pelegrino, que se apresenta como pré-candidato petista à sucessão de João Henrique, defende uma solução mais rápida e consensual que a remarcação de eleições para a segunda quinzena de março. Ele prega a divisão do mandato entre Gallo e Jonas Paulo. "Essa indefinição é altamente prejudicial e provoca uma enorme fratura institucional no partido. Precisamos ter uma unidade de comando urgente", avalia.

Jonas Paulo e Marcelino Gallo se mostram até favoráveis à formação de uma unidade em torno dos interesses do PT, mas nenhum dos dois explica ao certo de quem seria a iniciativa e como poderia ser estabelecida uma divisão de poderes na prática.


À distância
Com exceção de Varela, os outros pré-candidatos à eleição de Salvador preferem acompanhar a crise no PT baiano à distância. O ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB), disse que este é um assunto de natureza interna e deseja que o impasse seja logo resolvido "pois o PT é um partido de grande importância política para o Estado". O deputado federal ACM Neto (DEM) foi lacônico: "Não vou comentar um problema interno deles".

Entenda o caso
A confusão em torno do Processo de Eleição Direta (PED) no partido começou antes mesmo da votação para o Diretório Estadual. No segundo turno do pleito para a Executiva Municipal de Salvador - realizado em dezembro de 2007 - a candidata Vânia Galvão, vereadora que faz oposição ao então presidente estadual da legenda, Marcelino Gallo, foi declarada vencedora por apenas um voto de diferença para seu oponente. O resultado foi bastante contestado pelo adversário Edísio Nunes, da Chapa "A esperança é vermelha". Ele afirma ter vencido por dois votos de frente.

Na eleição para o Diretório Estadual a disputa foi mais acirrada ainda e contou com episódios inusitados. Três boletins parciais, antes da divulgação do resultado oficial, indicavam uma pequena margem de diferença entre os candidatos Jonas Paulo, da chapa "Construindo um Novo Brasil" e Marcelino Gallo de "A esperança é vermelha". Como não houve divulgação do resultado oficial, ambos se declararam vencedores. Marcelino disse que obteve uma diferença de pelo menos 1.500 votos a seu favor. Jonas, por sua vez, diz ter alcançado uma vantagem de 296 votos.